Brasil pode chegar a 200 mil casos de Covid-19 até metade do mês de Maio

Brasil pode chegar a 200 mil casos de Covid-19 até metade do mês de Maio

- 18 de abril de 2020

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O COVID-19 é uma doença que tem assustado a população mundial. Diversos países têm adotado medidas para conter o avanço da pandemia. Entretanto, muitas ações devem ter como base a ciência para gerar análises a serem utilizadas nas possíveis tomadas de decisões. Diante deste cenário, diversos pesquisadores tem buscado analisar as bases de dados sobre a COVID-19, dentre elas, a base de dados brasileira disponível em [https://covid.saude.gov.br/]. Uma delas, aqui apresentada, feita por um doutorando da UFOPA, mostra um cenário desanimador.

Primeiramente, buscou-se realizar uma análise de dados sobre os casos, óbitos, proporções, distribuição geográfica, etc. No gráfico 1 (a seguir) são apresentadas a quantidade de casos e mortes por estado. Para isso, foram utilizadas ferramentas comuns nas áreas de ciência de dados e inteligência artificial. Essas análises, foram realizadas dia 14 de abril de 2020.


Gráfico 1: Casos Confirmados e Mortes por Estado.

A análise a seguir mostra a comparação de dados com recorte em duas datas distintas (01/04/2020 e 14/04/2020). Os gráficos demonstram o crescimento da doença na região Norte. O objetivo desta análise é alertar a população quanto aos cuidados a serem tomados, dado o avanço da doença, uma vez que a Região Norte detém recursos escassos na saúde, podendo o sistema colapsar.

No dia 01/04/2020 a região Norte correspondia às menores parcelas de casos e mortes por COVID-19 no Brasil, com 4,67% dos casos e 1,65% de óbitos de todo o Brasil. Duas semanas depois (14/04/2020), esse número saltou e ultrapassou dados de regiões como Centro-Oeste e Sul, ficando na terceira posição com 10,4% dos casos e 9,44% de óbitos. É necessário realizar uma análise para investigar quais fatores contribuíram para elevar esses índices. Quando se fala em colapso do sistema de saúde, um fator deve ser levado em conta, a taxa de letalidade. No Brasil, esse número vem aumentado cada vez mais e têm preocupado as autoridades de saúde, uma vez que 25% dos óbitos estão fora dos grupos considerados de risco. No Gráfico 4 é exibido o aumento da taxa de letalidade.


Gráfico 4: Análise da taxa de letalidade (14/04/2020).

Além das análise de dados do passado, e do estudo comparativo elaborado, também foi feita uma análise a fim de prever o cenário da doença no Brasil para os próximos período. No dia 01/04/2020 foram realizadas análises de predição para os próximos 14 dias (até 14/04/2020). Para isso, foi utilizado um método de regressão polinomial, retornando a respectiva previsão da entrada fornecida. Em seguida, foram criados gráficos de avaliação para verificar a precisão, considerando um grau polinomial 4. Ressalta-se que graus polinomiais mais altos foram testados, embora o 4° grau tenha sido mantido para evitar um modelo com excesso de ajuste. Nas análises, os dados de casos são avaliados a partir do dia 26/02/2020, ou seja, surgimento do primeiro caso no Brasil e, os dados de óbitos são avaliados a partir do dia 17/03/2020, referindo ao primeiro óbito no Brasil.

Gráfico 5: Previsão de Casos no Brasil para as próximas duas semanas (01/04/2020).

Gráfico 6: Previsão de Mortes no Brasil para as próximas duas semanas (01/04/2020).

Inicialmente, ao serem divulgadas em redes sociais, as análises pareciam ser alarmantes. Após essa primeira avaliação e comparação dos dados, obteve-se os seguintes dados no Brasil. As análises previam aproximadamente 25.000 casos para o dia 14/04/2020. Neste dia, o relatório do Ministério da saúde constatou 25.262 casos confirmados. No que se refere a óbitos, havia previsão de 1.200 para o dia 14/04/2020. O balanço desse dia apresentou 1.532 óbitos.

A partir desse momento em diante da validação das análises de dados, decidiu-se realizar as novas análises de previsão para 7, 15 e 30 dias, com dados até o dia 14/04/2020. Os resultados para as previsões desses períodos para quantidade de casos confirmados e número de mortes são apresentados a seguir.

Gráfico 7: Previsão de Casos no Brasil para os próximos 7 dias.

Gráfico 8: Previsão de Mortes no Brasil para os próximos 7 dias.

Gráfico 9: Previsão de Casos no Brasil para os próximos 15 dias.

Gráfico 10: Previsão de Mortes no Brasil para os próximos 15 dias.

Gráfico 11: Previsão de Casos no Brasil para os próximos 30 dias.

Gráfico 12: Previsão de Mortes no Brasil para os próximos 30 dias.

É possível notar que os números continuam alarmantes. As projeções são de um cenário onde, até o dia 21/04, o Brasil caminha para ter cerca 50 mil casos confirmados, dia 28/04 mais de 80 mil casos, chegando no dia 14/05 com mais de 200 mil casos. Quando a visão é em relação ao número de morte, a previsão segue o mesmo ritmo presendo mais de 3 mil mortes (21/04), mais de 6 mil mortes em 29/04, chegando ao dia 14/05 com mais de 16 mil mortes previstas.

Ou seja, se nenhuma ação eficiente for tomada e a população não se conscientizar da necessidade do isolamento social, com facilidade, esses números serão batidos, tendo o Brasil daqui a 30 dias, 200.000 casos e 16.000 mortes. Além disso, esses números podem ser ainda maiores, pois estima-se que no Brasil a taxa de subnotificação, ou seja, casos não notificados ou ainda não testados, seja aproximado de 90%.

Resta-nos ficar em casa.

Autor: Clayton Santos Doutorando em Ciências Ambientais na Universidade Federal do Oeste do Pará – Ufopa. Mestre em Informática na Universidade Federal do Amazonas – UFAM (2012). Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Reconhecimento de Padrões, atuando nos seguintes temas: Aprendizado Profundo, Aprendizagem de Máquina, Big Data, Processamento Digital de Imagens e Segurança da Informação. Atualmente é professor no curso de Sistemas de Informação (CEULS/ULBRA) e CST em Redes de Computadores (IESPES).

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